Desafios no ensino superior: tempo e conexões!

Saúde mental na faculdade: entenda os desafios da vida acadêmica, a adaptação ao ensino superior e estratégias para uma experiência mais saudável.

2026-06-29 10:26:32 - Censupeg


O ingresso no ensino superior coloca estudantes em um contexto de novas exigências, como maior autonomia, aperfeiçoamento de habilidades, responsabilidades, apropriação de uma nova linguagem – a acadêmica – e construção de novas relações sociais. Isso pode ser uma tarefa relativamente fácil ou nada fácil, a depender de inúmeros fatores.

Dentre estes fatores, podemos citar exigências de adaptação relativas à instituição de ensino, ao próprio curso escolhido, ao método de estudo, às novas formas de se relacionar, à gestão do tempo e de recursos financeiros, à família, e à percepção de si mesmo. Todos esses aspectos influenciam o modo como os estudantes avaliam e experenciam suas vivências acadêmicas. 

Essas vivências podem ocorrer de formas diferentes para cada sujeito, correspondendo ou não às expectativas do próprio indivíduo, da instituição, da família, dos colegas de turma ou dos professores. Quando bem-sucedidas tendem a proporcionar aprendizados, vínculos mais fortalecidos com colegas, maior identificação com a profissão e melhor produtividade acadêmica. No entanto, essas vivências também podem gerar frustrações, fragilidades nas relações sociais, dificuldades no desempenho acadêmico e implicações na saúde mental dos estudantes como ansiedade, depressão e dificuldades de concentração entre outras. 

A questão é que esse universo não é isolado de um contexto maior em que vivemos: a própria sociedade. O excesso de telas, a sensação de que o tempo passa mais rápido, a quantidade de estímulos que recebemos cotidianamente, as relações frágeis e efêmeras e os modelos prontos dizendo como devemos ser e o que devemos fazer, as diferentes concepções de educação e de saúde, sem que nos seja permitido tempo de reflexão sobre o que faz sentido para nós, fazem com que, apesar de tantas “conexões”, no fim do dia possamos nos sentir sozinhos para lidar com todas essas demandas. E um novo dia amanhece, e nos dizem: “vida que segue!”

Mas o que fazer? 

Seria muito bom – ou talvez não –, se tivéssemos uma resposta pronta para essa pergunta. Porém, se isso acontecesse, não estaríamos fazendo nada diferente do que descrevi anteriormente; pelo contrário, estaríamos justamente respondendo por reflexo àquilo que esperam que façamos. 

Portanto, a resposta para esta pergunta só nos levará a um outro caminho, a um outro lugar, se esse percurso romper com essa lógica e nos debruçarmos sobre a diminuição do tempo nas telas e das conexões carregadas de estímulos aleatórios, para dar lugar a construção de laços mais duradouros; para nos darmos tempo de pensar, refletir e identificar o que faz sentido para nós; e para a leitura dos livros, dos artigos científicos, mas também do mundo, do tipo de relações que estamos construindo na sociedade, de modo que possamos nos sentir parte, participantes, pertencentes a esse novo espaço que escolhemos: a vida acadêmica! 

Mas essa tarefa é também coletiva e exige um movimento coletivo que envolva estudantes, instituição de ensino, professores e demais atores, pois nos constituímos e produzimos transformações na relação com os outros.

Fica aqui um convite para que essas reflexões sejam provocadas nos nossos espaços de encontro e para que, delas, possamos construir ações de cuidado com os outros e com nós mesmos, como princípio, como valor de vida, e não somente para responder a um “problema” atual! 

Que tenhamos bons encontros!

O programa Cuidar + CENSUPEG tem o objetivo de ofertar espaços de escuta e práticas de acolhimento e cuidado à saúde mental dos acadêmicos do curso de Medicina considerando as situações de desafio educacional presentes no processo formativo. 

Autora: 
Tatiane Cristine da Silva
Psicóloga Educacional CENSUPEG

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